A principal referência para a construção do mapa brasileiro dos perfis profissionais é o mapa americano desenvolvidos pelo IREC – Solar Career Map (http://irecsolarcareermap.org/). A construção deste mapa, e outros mapas americanos na área de energia têm como subsídio diversos estudos específicos realizados sobre carreiras nos Estados Unidos, como por exemplo: o “Renewable Energy Competency Model”, preparado pelo Department of Labor e pelo Office of Energy Efficiency and Renewable Energy; o “Building Block Competencies for Energy Careers” desenvolvido pelo Center for Energy Workforce Development (CEWD); o “National Skills Assessment Report”, publicado pelo National Renewable Energy Laboratory (NREL, 2013); o “Occupational Outlook Handbook” (OOH).
No Brasil, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) disponibiliza a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), acessível em http://www.mtecbo.gov.br, que é a base de dados geral sobre ocupações no país. A CBO é a ferramenta oficial para as estatísticas de emprego-desemprego, para o estudo das taxas de natalidade e mortalidade das ocupações, para o planejamento das reconversões e requalificações ocupacionais, na elaboração de currículos, no planejamento da educação profissional, no rastreamento de vagas, dos serviços de intermediação de mão-de-obra.
Na CBO são descritas sumariamente as diversas ocupações, as quais totalizam mais de 10.000 títulos diferentes, são apontados eventuais títulos sinônimos, são listadas as condições gerais de exercício de cada ocupação, bem como a formação e experiência requeridas, além das principais atividades correspondentes e das competências pessoais. Não há, porém, informações sobre médias salariais ou possibilidades e formas de progressão / transição de carreira. Algumas publicações acadêmicas com foco na realidade brasileira abordam o tema da geração de empregos no setor de energias renováveis, mas apenas de forma ampla, com ênfase maior nas potencialidades e nas estimativas numéricas, como o estudo de Simas e Pacca (2013) e Koengkan et al. (2017), ou tratam de forma geral os empregos verdes (SUGAHARA, 2010). Outros tipos de estudo sobre carreira, competências profissionais, etc. no contexto de energias renováveis brasileiro são praticamente inexistentes (não foram localizados em pesquisa em sites de busca com as palavras-chave: “emprego” ou “carreira” ou “profissões” e “energia” e “solar” ou “renováveis”).
Isto é, no contexto brasileiro existem atualmente limitações de dados e informações. Considerando-se estas limitações, a metodologia para a elaboração dos mapas dos perfis profissionais e oportunidades de evolução profissional utilizou o mapa americano como base, realizando-se adaptações à realidade da cadeia produtiva nacional, e seguiu os seguintes passos:
1. Definição e validação dos tipos de atividade a serem contempladas no mapa do setor solar fotovoltaico, descrita no Quadro 1; a definição tomou por base o mapa americano e o relatórios de mapeamento da cadeia produtiva Solar Fotovoltaica – “Análise do Potencial Brasileiro no Mercado de Energias Renováveis” (produto 6.2 entregue pela FGV à ABDI como parte deste contrato), especialmente a segmentação das cadeias de bens e serviços deste setor (Figura 1);
2. Construção de planilhas, em Excel, preliminares, por atividade; a construção destas planilhas, além de seguir o mapa americano e o relatório de mapeamento da cadeia produtiva Solar Fotovoltaica (produto 6.2 entregue pela FGV à ABDI como parte deste contrato), utilizou:
3. Validação dos dados e informações das planilhas preliminares; através do envio das planilhas preliminares para revisão por representantes de empresas atuantes no setor solar fotovoltaico atuantes no país (geralmente executivos responsáveis pela seleção e desenvolvimento de recursos humanos) de modo a garantir o alinhamento das premissas inicialmente construídas com as práticas do mercado de contratação de mão-de-obra especializada no setor;
4. Organização das informações das planilhas validadas na forma de infográficos interativos; ou seja, disponibilização das informações como uma ferramenta visual de mapa eletrônico, similar ao mapa americano.
Manufatura
Os módulos e sistemas solares fotovoltaicos são equipamentos constituídos por um número relativamente pequeno de itens: células solares, vidro, caixa de junção, inversor, seguidores, cabeamentos entre outros. Atualmente já há no Brasil empresas que montam módulos e sistemas fotovoltaicos em unidades locais, bem como fabricantes nacionais de diversos componentes para os sistemas fotovoltaicos. Os módulos e sistemas de fabricação nacional são mais utilizados na instalação de usinas solares fotovoltaicas enquanto o segmento de geração distribuída (GD) se utiliza principalmente de equipamentos importados, de menor custo. Os módulos fotovoltaicos são produzidos (montados) em linhas contínuas, geralmente totalmente automatizadas, através do uso de sensores em conjunto com atuadores pneumáticos ou motores elétricos, comandados por CLPs (Controladores Lógicos Programáveis). Outros componentes, como inversores e estruturas de sustentação/seguidores, são produzidos pelos processos tradicionais das indústrias eletroeletrônicas e metalúrgicas.
Projeto de Sistemas
Atividade mais associada a instalações de GD. Envolve a especificação de sistemas solares fotovoltaicos, isto é, a configuração da melhor solução em termos do tipo de módulo a ser utilizado, tamanho, número de módulos, tipo e número de inversores, etc. de modo a promover uma geração eficiente e segura de energia, balanceando ainda questões de orçamento e prazos. Pode envolver também a homologação destes sistemas, questões de conexão, estudos e testes elétricos e projeto da estrutura de instalação (residencial, comercial ou industrial). São responsáveis por este tipo de serviço as empresas de engenharia e projetos de GD.
Desenvolvimento de Projetos
Atividade mais associada a instalações de geração centralizada (usinas solares fotovoltaicas). Abrange a prospecção de áreas para a implantação das usinas solares fotovoltaicas e os estudos para definições de seus projeto e leiaute. Compreende também a obtenção de financiamento, registros técnicos e legais e licenciamento. Requer geralmente a participação de especialistas em estudos e projetos de desenvolvimento, além de especialistas em contratos e comercialização, sendo estas atividades desempenhadas frequentemente por empresas de consultoria.
Instalação e Operação
As atividades de instalação se referem tanto a construção das usinas solares fotovoltaicas, como a implantação de sistemas de GD em residências, instalações comerciais ou indústrias. No caso das usinas solares fotovoltaicas, contempla o gerenciamento e execução de obras civis, da infraestrutura elétricas e a instalação dos sistemas fotovoltaicos propriamente dita. Uma vez instalada, a usina solar fotovoltaica precisa ser operada, controlada e mantida para seu adequado funcionamento. No caso de instalações de GD, empresas / profissionais especializados fazem a montagem ou integração dos sistemas fotovoltaicos e sua instalação em telhados ou outros locais. Estas atividades precisam ser gerenciadas e os sistemas monitorados e ajustados para seu melhor desempenho. Uma função importante no âmbito das instalações de GD é a dos instrutores responsáveis por capacitar profissionais a realizarem as instalações de forma segura e atendendo às exigências técnicas e de qualidade.
Título da profissão / ocupação e título alternativo
Adaptação dos títulos do mapa americano, procurando seguir a CBO, e com revisão por empresas do setor.
Nível (avançado, médio ou entrada)
Com base no mapa americano e respeitando o nível de formação/experiência requerido para aquela ocupação pela CBO.
Ocupações similares
São apresentadas ocupações similares conforme a CBO.
Descrição principal
Adaptação da descrição no mapa americano, com base no mapeamento da cadeia produtiva da ABDI (FGV, 2017), pesquisas secundárias, descrições da CBO, e revisão das empresas.
Descrição complementar – perfil geral
É a descrição mais geral para a ocupação conforme CBO - Descrição Sumária.
Descrição complementar – Condições gerais de exercício
É a descrição das condições gerais de exercício para a ocupação conforme CBO - Condições gerais de exercício.
Nível de educação / treinamento mínimo requerido
É a descrição do nível mínimo requerido para a ocupação conforme CBO - Formação e experiência.
Nível de educação / treinamento desejado
Informado pelas empresas.
Experiência (anos)
Informado pelas empresas ou com base no mapa americano.
Média salarial FIPE
Salário médio inicial calculado com base em contratações realizadas em 2017 para CBO específica; informação obtida no site da FIPE (http://www.salarios.org.br/#/salariometro).
Faixa salarial empresas do setor
Faixa salarial com base no salário bruto médio mensal informado pelas empresas do setor eólico.
Competências pessoais
São as competências pessoais para a ocupação conforme CBO (GACS / Atividades / Z / Demostrar Competências Pessoais)
Competências adicionais
São competências adicionais específicas da atividade/ocupação no contexto do setor eólico.
Progressão / transição de carreira
Com base no mapa americano e nas contribuições das empresas do setor solar fotovoltaico, são listados movimentos de possíveis progressões na carreira para cada ocupação e o que seria necessário para este avanço.
Para a obtenção da colaboração das empesas foi necessária uma mobilização prévia com apoio da ABDI e identificação dos respondentes principais, especialmente os contatos dos responsáveis pelo departamento de recursos humanos das empresas, como forma de garantir um bom nível de retorno das planilhas.
As seguintes empresas se dispuseram a colaborar com o estudo:
Limitações ao estudo foram principalmente no sentido do número efetivo de empresas que colaboraram no estudo e no nível de retorno dentro dos prazos para a sua realização. Cabe ressaltar que as informações aqui apresentadas representam o melhor do conhecimento obtido e, embora não sejam exaustivas, acredita-se que sejam suficientes para retratar os principais aspectos relativos aos perfis profissionais do solar fotovoltaico no Brasil.